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Serpentes e Peçonhentos

Serpentes

 

Na língua portuguesa as serpentes também podem ser chamadas de cobras, mas em outras línguas e no meio científico este nome é utilizado para definir apenas um gênero de serpentes presentes na Ásia, as najas. Assim prefere-se o termo serpentes para designar este grupo de animais, já que é abrangente para todos os indivíduos deste táxon.


Os dentes de uma serpente não são inseridos nos ossos da mandíbula, eles são mais superficiais e consequentemente mais frágeis, o que impede que serpentes mastiguem os alimentos, engolindo-os inteiro. Eles também podem ser diferenciados entre si, como presas e dentes. Os dentes servem para auxiliar na captura do alimento, não deixando que eles escapem, e as presas são dentes modificados para a inoculação de veneno, eles são mais longos que os outros e possuem sulcos ou canais para inocular o veneno.
 

As serpentes podem ser classificadas de acordo com sua dentição, podendo ser áglifas, opistóglifas, proteróglifa ou solenóglifa. As áglifas não possuem presas inoculadoras de veneno, as opistóglifas possuem a presa, mas está localizada na parte posterior da boca, a qual não possui uma abertura muita grande dificultando a inoculação de veneno. Já as proteróglifas, possuem presas na parte anterior da boca mas o canal condutor de veneno é imperfeito, sendo considerado como uma fenda.

As solenóglifas também possuem presas na parte anterior da boca mas suas presas possuem canais completos, as serpentes com este tipo de dentição costumam ser mais especializadas na inoculação do veneno, o qual também é mais potente. 

São muitas as características utilizadas para afirmar se uma serpente é venenosa ou não, a presença ou ausência de presas, de fosseta loreal¹, chocalho na cauda e o padrão de cores. Por isso, é indicado não mexer com uma serpente se a encontrar na natureza, apenas deixar ela quieta e passar longe, desviando de seu caminho para que não corra riscos.

 

          Curiosidades e crenças populares

 

Há muitas crenças populares sobre as serpentes que são errôneas, como perseguirem pessoas, saltarem, mamarem em mulheres ou animais, espantá-las com alho, que picam com a língua ou com a cauda. 


Não é aconselhado nenhum tipo de intervenção baseada em crença popular quando alguém é picado por uma serpente, apenas é indicado que essa pessoa vá o mais rápido possível para um hospital receber o tratamento médico adequado com o soro antiofídico.

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Peçonhentos

 

         O que é e quais são?

 

Animais peçonhentos são aqueles que produzem algum tipo de toxina mas que não possuem uma estrutura para inocular esta toxina em outro indivíduo, como por exemplos algumas espécies de anfíbios que possuem glândulas produtoras de peçonha embaixo de sua pele. Esta peçonha produzida não é degradável e a ciência ainda não encontrou uma alternativa para o combate a seus efeitos, como o veneno que possui o soro. Para que uma pessoa sofra com os efeitos da peçonha é necessário o contato com uma dose muito grande ou repetidas vezes em mucosas ou ferimentos abertos.


As toxinas produzidas pelos animais não são formadas por um único composto químico, podem ser a combinação de vários deles. Por isso que soros antiofídicos, por exemplo, são específicos para cada espécie, por mais que a espécie pertença a um mesmo gênero de outra espécie, a composição de seu veneno pode ser muito distinta e específica.
 

Essas toxinas podem afetar os organismos de diversos modos, podem ser neurotóxicas², cardiotóxicas³, coagulantes⁴, proteolíticas⁵, alucinógenas⁶, hipertensivas⁷ e até necrosante⁸.

         Exemplos

 

Peçonhentos: mariposas, rãs coloridas da família Dendrobatinae (na imagem abaixo), sapos da família Bufonidae e salamandras

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Venenosos: serpentes da família Viperidae (víboras, ausentes no Brasil), Crotalidae (cascavéis e jararacas - representadas na imagem abaixo) e Elapidae (naja, ausente no Brasil, e coral verdadeira), aranhas e vespas.

 

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Medicinal

 

Apenas 10% das espécies de serpentes do mundo produzem veneno e são realmente perigosas. No Brasil, ocorrem anualmente cerca de 29.000 acidentes com serpentes, sendo que cerca de 125 são fatais, provavelmente devido à demora na procura do tratamento médico e à utilização de técnicas de crença populares. 

 

Em 2017 foram registrados cerca de 28.600 casos de acidentes ofídicos no Brasil, sendo que apenas 105 foram fatais (Ministério da Saúde, 2017).

 

Muitas serpentes são mantidas em cativeiro para a produção de soro antiofídico⁹ específico de diversas espécies. Além da produção do soro, os compostos dos venenos também são estudados para a criação de fármacos¹⁰ anti-hemorrágicos¹¹, em tratamentos contra hemofilia¹², pressão alta e até infarto do miocárdio.

Importância ecológica

 

Por mais que algumas serpentes sejam perigosas, elas possuem um importante papel no ambiente, são controladoras do crescimento de diversas outras espécies, como roedores, que em grandes quantidades podem trazer doenças aos humanos ou então prejudicar a produção em fazendas.

 

Assim como elas predam roedores, outras espécies, como aves de rapina, gambás e ouriços predam as serpentes de maior porte. As serpentes de pequeno porte podem ser predadas por aranhas, sapos e lagartos. Algumas espécies de serpentes preferem se alimentar de outras serpentes, sendo então responsáveis pelo controle populacional do próprio grupo animal.

 

Glossário

 

1. Órgão sensorial termorreceptor capaz de detectar pequenas variações na temperatura.

2. Que afeta o sistema nervoso e o controle muscular.

3. Que afeta o coração.

4. Que torna o sangue mais espesso.

5. Que causa a degradação de proteínas por enzimas chamadas proteases.

6. Que provoca alucinações artificiais ou estados eufóricos.

7. Que eleva a pressão sanguínea.

8. Que provoca a morte de um conjunto de células.

9. Soro que neutraliza o veneno que se encontra no sangue e nos tecidos da pessoa que sofreu uma picada de cobra.

10. Composto químico que é utilizado com fim medicinal.

11. Que estanca a hemorragia; a perda de sangue.

12. Distúrbio da coagulação do sangue.

 

Para mais informações:

 

AUERBACH, P. S. Evenoming and injuries by venomous and nonvenomous reptiles worldwide. Cap 55. In: Wilderness Medicine. 6th edition. 2012

MOSMANN, M. N. Guia das Principais Serpentes do Mundo. Vol 1. 1ª Edição. 2001 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Acidentes por animais peçonhentos - Serpentes. 2017. Disponível em: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/acidentes-por-animais-peconhentos-serpentes

BERNARDE P.S. Serpentes peçonhentas e acidentes ofídicos no Brasil. São Paulo: Anolis Books Editora; 223 p. 2014.